dezembro 13, 2016

“No começo, éramos um só elemento:

Éramos, antes de tudo, terra para apoiar e sustentar
Éramos água para nos moldar e refrescar
Éramos ar para falar com suavidade
E, claro, éramos fogo quando caia a noite…

Confundíamos as pernas, mas isso era o de menos pois nossos peitos e nossas mentes já eram um só. Seguíamos a mesma direção…

Sempre rindo, nos divertindo, não precisávamos falar para entender o que o outro estava sentindo, afinal, era o que eu estava sentindo também.

Sempre fomos fãs de jogos. Confiávamos plenamente em nós a ponto de fecharmos os olhos e deixar o outro lançar os dados, sabíamos que não iria trapacear. É engraçado, nunca terminamos um jogo se quer, não existia “perdedor” e “ganhador” . Pra falar a verdade, parecia que estávamos, sempre, no início da partida. Começávamos de manhã e quando chegava a noite… nem lembrávamos o que estávamos jogando…

Com o passar do tempo, um dos dados se viciou. Pela primeira vez um dos dois saiu perdendo… nossos tabuleiros começaram a diminuir, passamos pros jogos de cartas e finalmente usávamos somente as mãos para jogar.

Tudo se resumia ao Jo Ken Po:
Eu me tornei pedra, ela virou papel…”

 

Mateus Carioca Costa

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Maria Helena

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novembro 03, 2016

Cansei. Cansei de escrever sobre você. É até difícil lembrar da época em que você não era a inspiração dos meus textos. Muitos não são pra você, mas quem é que pode ter certeza? Acho que nem eu consigo distinguir. Mas deixa pra lá, porque a questão aqui é: você não preenche mais minhas palavras. Então é isso, o blog acabou.

O blog acabou? Não! Posso escrever sobre muitas coisas. Posso escrever sobre o tempo, sobre a natureza e como a vida me faz ser grata por existir. Posso escrever sobre a história do Brasil e recontar diversos boatos que eu ouvi por aí. Posso escrever um diário, um conto, uma crônica, uma fábula e – não duvide – até mesmo uma receita de bolo que eu aprendi na semana passada que, modéstia parte, ficou uma delícia.

É… eu posso escrever sobre tantas coisas que nem iam caber aqui. Pode ter certeza que eu tenho uma lista imensa intitulada: “Coisas que não são você” e elas dariam ótimos temas para meus futuros textos. Mas ainda assim você continua aqui, esparramado nas entrelinhas de todos os meus textos. Porque eu posso escrever sobre as melhores coisas do mundo, e de repente eu até ganho mais leitores porque a verdade é que ninguém mais aguenta te ler por aqui. Mas a verdade? A verdade nua e crua? É que eu ainda escolhe escrever sobre você. Porque, no fim do dia, nem uma delas vai me mandar mensagem dizendo: “Ei! Eu li aquele texto e eu sei que foi pra mim”.

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Maria Helena

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agosto 29, 2016

Oi, estou passando aqui só porque queria dizer que eu sou bonita. Sim, eu sou bonita. Com todos os meus defeitos, com todos os pequenos detalhes que, podem não ser exatamente do jeito que eu gostaria que fossem, mas que me tornam quem eu sou. E digo mais: eu não sou bonita só por fora não, sou bonita por dentro também! A cada dia que passa eu me acho mais bonita e não tenho receio de dizer isso. Claro que não é sempre assim… quantas vezes a gente se olha no espelho e pensa: “poxa vida, eu queria ter a barriga chapada” ou “eu queria ter as pernas mais grossas”. Quantas vezes a gente se pega olhando o Instagram de alguma famosa, desejando ser só um pouquinho mais parecida com ela? Ninguém é perfeito, é inevitável alguém passar a vida inteira sem desejar mudar uma coisinha sequer, todo mundo olha pra si mesmo e encontra  uma falha aqui e outra ali, mas isso não quer dizer que você não possa aprender se amar exatamente como você é.

Por muito tempo eu me enganei, achando que não tinha problemas com autoestima. Eu sempre me achei bonita e ponto final. Mas aqui e acolá eu encontrava alguém que não enxergava em mim a beleza que eu achava que eu tinha, e isso me abalava profundamente. Me desestruturava de um modo que eu não conseguia simplesmente ignorar e eu queria me forçar a entender o motivo daquela pessoa não me achar tão bonita quanto eu me achava e, de repente, eu já estava começando a achar que eu não era tão bonita assim. Depois de muito tempo, eu entendi que se amar não é só saber que é bonita, mas se aceitar e entender que você é o que é, independente do que os outros enxergam em você. E é importante lembrar que a autoestima não está somente em aceitar e amar a si mesmo, a gente demonstra amor próprio quando entendemos que as nossas diferenças são especiais e quando abraçamos as diferenças dos outros também. Enxergar beleza no próximo, é transbordar beleza de você mesmo e não tem nada melhor do que isso.

Hoje eu posso dizer que eu sou bonita  de todas as formas. Sou bonita porque me olho no espelho do jeito que sou, com todas as minhas falhas e não desejo mudar isso. Sou bonita porque não deixo que ninguém abale a confiança que eu mesma construí. Sou bonita porque eu me amo assim e nada no mundo pode mudar isso.

Você é bonita, e no dia que você perceber isso, todo mundo ao seu redor vai perceber também.

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Maria Helena

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agosto 02, 2016

Cansei de te ouvir dizer “eu te avisei”

Não preciso de ninguém pra me lembrar

Eu sou a primeira a assumir que errei

Agora já foi, já percebi, pode deixar

 

Admito que estou até cansada

Me repito nas coisas mais banais

Errei tanto que não sobrou quase nada

Das escolhas quase sempre irracionais

 

Cada erro é um tapa na minha cara

Pra me lembrar que eu já tinha errado antes

Cada acerto é um tapa na minha cara

Pra me lembrar que eu erro a todo instante

 

E de novo vem você “eu te avisei”

E esse discurso de “se cuida, dessa vez”

Já ouvi tanto que confesso, até cansei

Desse olhar de “o que foi que você fez?”

 

Me avisou? Já entendi, já escutei

E  pensei “desa vez eu vou parar”

E por um tempo até confesso que parei

Mas voltei logo só pra te ouvir me avisar

 

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Maria Helena

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julho 21, 2016

Será que é falta de amor próprio eu me sentir assim? Depois de tanto tempo eu ainda insisto em cair nessas armadilhas que você despretensiosamente coloca pra mim. Eu me esforço pra seguir sem tropeçar, mas fica difícil com você me empurrando a cada passo que eu dou. Já tentei ficar calada e ignorar, mas tem alguma coisa sobre o seu olhar que incita palavras que eu deveria guardar só pra mim. E esses sinais… gostaria de não ter que lidar com isso, gostaria que tudo fosse como era antes.

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Me sinto quase uma criança, me calando por insegurança, com a cabeça cheia de confusões platônicas e perguntas das quais as respostas eu prefiro não saber. Mas o que é isso que passa nos meus nervos? Essa ansiedade que eu não sentia há tanto tempo… e enquanto eu tento controlar meus sentimentos, me afogo cada vez mais fundo nesse precipício que são as tuas palavras. Só pra te satisfazer, enquanto esnobe, metido e arrogante; e eu percebo a dimensão da minha tolice, quando as atrocidades saem da tua boca. E quão boba eu me sinto, quando eu esqueço da apatia e desprezo e o coração volta a acelerar como se nada tivesse acontecido…

Usada. É como eu me sinto, mesmo sem você perceber o quanto eu estou morrendo por dentro… mesmo sem você saber, a culpa é sua, sempre vai ser. Todo esse tempo passou e eu ainda me sinto do mesmo jeito e sinto vergonha de dizer que o responsável é você. O pior é saber que você precisa dela e eu não consigo entender o por quê. Tudo o que eu sei é que nunca vou ser ela e nem quero. Só quero passar por isso como se nada tivesse acontecido e o que eu mais preciso agora é distância.

Seja o que for esse sentimento, que seja breve ou seja extinto.

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Maria Helena

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